QUEM É SILVIO COSTTA
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   >>POESIAS

Boia Fria
 

Amanheceu:

pegou um caminhão e foi pra lida.

Nascer do sol : brilhando no horizonte mais um dia.

Aperta o coturno, o lenço e o chapéu, amola o facão,

mira para o céu , reza um pai nosso e começa o

trabalho...Então :

o corte vai surgindo, a cana vai caindo e as folhas no

cortando; o fardo amontoando, o sol já vai a pique e

o suor escorrendo em bicas...

E a bóia vem fria pra comer,

e os amigos têm tempo de conversa, que é pra ver

se um dia a vida se avessa e dá prazer.

Entardeceu:

o cabra que é bom cortou de tudo.

Adormeceu:

juntou com o sol, o cansaço ... virou noite.

A afrouxa o coturno, tira o chapéu, descansa o facão...

pede uma aguardente, joga um pouco no chão,

oferecendo ao santo bom...

E, ao chegar em casa, o cheiro do café, e a molecada vêm...

o riso vai surgindo, o dia foi comprido,

mas ele ainda está de pé...

E a janta vem quente como o quê,

e a mulher que tem :

fé e esperança , de uma gente que não

cansa de ter forca pra viver...

 
 Silvio Costta © 2007 Todos direitos reservados.