Sábado
15 horas. Eu também tenho 15. Embaixo
do relógio do largo do café
espero por um amigo. Boca seca . A ansiedade
domina toda a cena. Pessoas passam por
mim . Espero por esse momento há
meses, há anos...há várias
e várias voltas do ponteiro do
relógio. Tenho vontade de ir embora
e ao mesmo tempo de ficar. Eu não
vou fugir, apesar de entender que essa
não é a melhor maneira de
perder a virgindade. Ele chega. Sabe do
lugar, sabe como tudo acontece . Subimos
a avenida São João. Vejo
um velho prédio, deve ter uns vinte
andares. Não tem porteiro, é
meio escuro na entrada. Chegamos. Décimo
andar. Um corredor com lâmpadas
quase mortas .O número 1011. É
aqui ! Meu amigo aperta a campainha .
A porta abre . Uma mulher morena. Nem
gorda , nem magra . Ela manda entrar .
Na minha frente 3 mulheres sentadas. Duas
portas , dois quartos. São 15 minutos
de espera! Ele entra primeiro. Postergo
a minha primeira vez...Chega o momento.
É uma menina. Parece uma mulher.
Me pega pela mão . Atrás
da cama tem um espelho. Eu tiro a roupa
. Ela já está nua . Tem
um corpo bonito. Pensamentos se passam
pela minha cabeça, enquanto ela
procura encaixar os corpos mecanicamente.
Dessa forma nada acontece .Ela está
esperando...outros lá fora também.
Com calma vou tocando seu corpo. Será
que alguém já o tocou assim
? Descubro : o carinho é o atalho
do tesão. Suavemente , tudo se
conduz . Eu não preciso dizer que
é a primeira vez. Ela entende .
Desfaleço. O silêncio impera.
A menina fica . O menino vai.
Ponho a roupa , saio. Passo pela
sala. Abro a carteira .Sou o homem que
bate a porta e vai embora. O tempo virou.
Vai começar a chover. Vou caminhando
e sentindo o vento que sopra na minha
cara.
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